O que são e como governam nossas vidas
Quando Deus disse a Moisés: “Eu sou o Senhor teu Deus, não terás outros deuses além de mim”, Ele já indicava a existência de uma força única, uma inteligência suprema e poderosa que rege todo o universo e está presente em todas as leis espirituais que governam a vida e as relações dos seres humanos na Terra.
Muitos conhecem ou já ouviram falar, por exemplo, na importantíssima lei do livre arbítrio, que dá a liberdade total e irrestrita ao homem para fazer suas próprias escolhas. Ou, ainda, a lei de causa e efeito, para a qual toda ação trará uma reação equivalente, devolvida por meio de ondas de energia. Ambas conduzem nossos atos na Terra.
Muitas pessoas realmente acreditam nesta força maior. Umas preferem chamam de Deus, outras não. Até conseguem explicar uma ou outra lei, como as que foram mencionar, mas não sabem direito como funcionam na prática. E é exatamente por não terem a compreensão completa que não sabem como lidar com essas leis no dia a dia; sentem medo ou culpa em tudo o que fazem porque desconhecem as consequências mais amplas de seus atos.
Diante disso, surge aquela sensação de que as leis em questão estão nas mãos de forças invisíveis do mal, que as manipulam e agem sobre elas como bem entendem, deixando-as completamente vulneráveis e, consequentemente, desprotegidas.
Por isso, é importante entender o que são essas leis espirituais e como agem, só assim conseguiremos usá-las em nosso benefício.
Vale adiantar que, para seguir e respeitar essas normas universais, é preciso, em primeiro lugar, deixar prevalecer nossas vontades essenciais, relacionadas não apenas ao bem pessoal, mas ao bem humanitário. Essas vontades nos dizem todos os dias quem somos, o que queremos e para onde devemos ir, sem permitir que fatores externos nos tirem de nosso caminho.
Quando fazemos isso, nos conectamos a um Todo Maior, que é a humanidade e toda a Criação, e percebemos assim que Deus está em todo lugar, nas mínimas coisas, inclusive dentro de nós. Ou seja, não nos separamos Dele. É dessa forma que podemos compreender quando Jesus diz: “Eu e o Pai somos um”.
Por causa da ruptura com o Todo Universal, temos a sensação de vulnerabilidade. Passamos a pensar que tudo o que acontece conosco está errado. Além daquele conhecido “vazio no peito”, que nos faz sentir inferiores ou rejeitados facilmente.
Se alguém esquece de nos convidar para uma festa, por exemplo, começamos a falar mal de tudo e de todos, entramos na defensiva ou passamos a atacar os outros. Espiritualmente, não estávamos excluídos; fomos nós que nos excluímos antes, ou seja, deixamos de nos conectar com a energia da festa em si.
Há milhares de festas acontecendo o tempo todo, com gente que conhecemos ou não, e estamos em todas elas. Há milhares de pessoas morrendo neste exato momento e somos parte disso também. Crianças estão nascendo e populações guerreando. Mas simplesmente não conseguimos sentir isso, por não perceber a consequência direta que um ser humano inicia no outro, dentro da rede de interligações invisíveis, da qual fazemos parte. Ou seja, longe dos olhos, longe do coração.
Nós, seres humanos, precisamos desta conexão cósmica, que é o princípio da espiritualidade e da aproximação do Deus supremo. Só assim passamos a sentir que somos parte de algo maior, alcançando nossa plenitude pessoal em nome de um propósito divino. Mas como chegar a esse estado?
É necessário um processo individual de autoconhecimento pelo qual ampliamos a percepção de nós mesmos, do mundo à nossa volta e de como nos relacionamos com ele. É preciso olhar para dentro e perguntar: Quem sou? O que quero? Quais são meus talentos? O que o universo espera de mim? O que ofereço ao universo?
Quando, mesmo que aos poucos, vamos encontrando essas respostas e as colocamos em prática, alcançamos o equilíbrio entre nosso pensar, sentir e agir, criando condições para que esta conexão cósmica aconteça.
Uma vez em sintonia com o Todo Universal, a sensação de vulnerabilidade desaparece e não nos desestruturamos internamente. Os sentimentos negativos acontecem, mas não nos dominam. Podemos ficar tristes, por exemplo, mas esse sentimento será bem passageiro e de menor intensidade. Lembrando do exemplo da festa, não nos sentiríamos excluídos, e sim, respeitaríamos os vários caminhos existentes, tomaríamos outra direção igualmente feliz.
Vou expor ao longo deste livro várias leis espirituais que permeiam a nossa existência. Algumas vezes farei isso de forma explícita e outras deixarei nas entrelinhas, justamente para que sua percepção seja aguçada e seu poder criativo ativado.
Avançaremos aos poucos neste caminho.
Por ora, o mais importante é que compreenda a lei da não separatividade. Estamos interligados a um Todo Maior do qual fazemos parte. Essa compreensão abre as portas de nosso coração para o sentimento de compaixão e solidariedade.
O que é ser espiritualizado?
Muita gente acha que uma pessoa espiritualizada é alguém especial, iluminada e com bastante experiência de vida, como se fosse santo.
O ser espiritualizado é simplesmente alguém que consegue fazer a conexão com a unicidade – ligação única que se estabelece entre Deus e a humanidade, independente de se estar ou não ligado a uma religião. Sabe que tem dentro de si uma centelha divina, presente em toda forma de vida, e é por meio dela que está conectado a tudo, a todos e a Deus, dentro dessa unicidade cósmica. Ele está no outro, e o outro está Nele. Assim, encontra seu equilíbrio pessoal, conseguindo acessar e entender suas emoções e sentimentos, trazendo benefícios físicos para seu corpo e sua mente.
Você imagina um ser espiritualizado tendo chiliques emocionais? Já pensou no Papa irritado, dizendo que não fez a missa porque seu café não foi servido na hora certa ou sua batina estava mal passada?
Em nenhum momento de sua trajetória, Jesus teve um desequilíbrio emocional. Ele era sempre coerente com o que falava e fazia. Era paciente, mas não com aquela paciência mórbida de acomodação. Até[RBO1] teve um ato de ira, ao retirar os comerciantes do templo, mas foi por uma causa maior, promovendo algo de bom, usando positivamente a energia de sua emoção. Viu que um espaço sagrado estava sendo profanado, então precisou desta energia mais austera da ira para promover a ação de impor. Sua atitude estava a serviço de algo maior, diferente daquele pai que bate no filho só para jogar nele toda a carga de seu ego e autoritarismo, em vez de transmitir valores e limites.
Ser espiritualizado não significa somente ser brando, pacífico, de comover-se, de sofrer a todo instante com as dores do mundo, fechando-se em práticas meditativas. É saber atuar com o seu mundo emocional de uma forma equilibrada e coerente. Para isso, é necessário ter conhecimento sobre si e sobre as leis espirituais, buscando caminhar entre essas duas dimensões e enxergar além do que pode ser visto pelos olhos.
Todos nós conhecemos alguma lei da física, talvez um pouco de matemática, podemos ler um livro de culinária e saber quais são os ingredientes necessários para um determinado prato. Porém, uma pessoa espiritualizada compreende além do que pode ser simplesmente observado ou palpável, lida com o invisível tanto quanto com o visível, com sutileza e de forma estruturada. Consegue entender suas emoções de maneira transparente.
Seria interessante se existissem tubos de ensaio com sentimentos, como: raiva, tristeza, alegria, amor etc. Se fosse assim, bastaria tomar o elixir de acordo com as necessidades e circunstâncias. Mas as coisas não acontecem assim. Somente buscando essa ligação espiritual, podemos entender o nosso universo emocional.
Assim, quando alguém lhe perguntar: “Quem é Deus?” e “Onde está?”, automaticamente responderá que você é Deus, que você e Ele são um único ser ou que Ele está dentro de você – pois tal será seu grau de pertencimento a este Todo. Do contrário, sentir-se-á excluído e continuará rogando qualquer coisa a Ele de uma distância imensa, pedindo que resolva seus problemas, fazendo sacrifícios e penitências, numa atitude de temor que só o separa ainda mais Dele.
Quanto mais tememos a Deus, mais nos afastamos Dele, porque tudo o que é desconhecido, não visível aos olhos, nos apavora. Como compreender essa energia e trazê-la para dentro de nós, se a desconhecemos e tememos? Será que é rezando milhões de vezes? Indo à igreja constantemente? Ou será que é descobrindo o plano de Deus em nossa vida?
O ser espiritualizado, além de compreender o seu mundo emocional, compreende e aceita sem julgamento o mundo emocional do outro. Sabendo que cada pessoa está vivenciando um grau diferente de desenvolvimento espiritual, de nada adianta forçar alguém a pensar, agir e sentir diferente do que é possível no momento. O respeito impera na relação consigo e com o outro e isso nada mais é que sua alta conexão com o Todo.
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